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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A todos um Bom Natal !

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós
Que seja um Bom Natal, para todos vós

No Natal pela manhã
Ouvem-se os sinos tocar
E há uma grande alegria, no ar

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Nesta manhã de Natal
Há em todos os países
Muitos milhões de meninos, felizes

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós
Que seja um Bom Natal, para todos vós


Vão aos saltos pela casa
Descalças ou com chinelos
Procurar suas prendas, tão belas

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Depois há danças de roda
As crianças dão as mãos
No Natal todos se sentem irmãos

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Se isto fosse verdade
Para todos os Meninos
Era bom ouvir os sinos tocar.

A todos um Bom Natal
A todos um Bom Natal
Que seja um Bom Natal, para todos vós
Que seja um Bom Natal, para todos vós

Deu muito prazer participar !

Rui mediu as tensões, rastreou a diabetes, aparou o cabelo, escolheu roupa nova e participou num jantar convívio com cerca de 350 pessoas consideradas como excluídas da sociedade.

Rui Carvalho, 39 anos, é um dos aderentes ao Dia dos Cidadãos Sem-Abrigo da Área Metropolitana do Porto, promovido hoje pelo Governo Civil e pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), no âmbito da iniciativa Porto de Abrigo, uma rede que reúne cerca de 40 instituições públicas e privadas.

A meio da tarde, foi dos primeiros a chegar a um pavilhão da universidade do Porto, onde decorre a iniciativa, mas o estômago ia ainda a dar horas.
Nada que estranhe, afinal. Ao longo de cinco anos e meio em que teve a lua por tecto, muitas vezes o estômago pediu-lhe o que não havia para comer. E ainda hoje, quando já tem um cubículo para viver, partilhado com uma companheira que conheceu enquanto sem-abrigo, vai enganando a fome com nada.

«Pagamos 200 euros de renda. O que nos sobra do Rendimento Social de Inserção (189 euros cada) não dá para comer todos os dias. Muitas vezes passo fome», garante.
Quando estava na rua, diz, «tirava à boca para a droga. Hoje, estou num programa de Metadona e só tiro à boca porque não dá mesmo para comprar alimentos para todo o mês».
Teresa Pires, 49 anos, tem uma história similar para contar. A diferença é que em sete anos de total exclusão e consumo obsessivo de drogas, numa dormiu ao relento porque teve sempre conseguiu descobrir uma ou outra casa abandonada que a abrigasse.

De momento, está a tirar um curso de informática no IEFP e sonha vir a ter um emprego.
«Coisa levezinha, a atender telefones ou coisa assim, porque a minha saúde não dá para mais», pede Teresa, depois passar pelo improvisado gabinete de enfermagem e de se dirigir à esteticista para cuidar da aparência do rosto e, dessa forma, aumentar um pouco sua autoestima.

Já na barbearia, Abílio Costa, um formando de cabeleireiro do IEFP apara o cabelo a outro sem abrigo, e lamenta que «estas coisas só aconteçam por alturas do Natal».

Isabel Santos, a governadora civil, garante, contudo, que não é isso que se pretende. «É uma iniciativa que gostaríamos de ver prolongada no tempo e o que pretendemos é partir daqui para abrir portas aos sem-abrigo que estejam abertos a um processo de inclusão».

Lusa/SOL
Uma experiência enriquecedora a todos os níveis !
Um Bom Natal a todos.